"Sei que não devia. Mas lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso.
Sabe que tudo acontece como um jogo se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa." Caio Fernando.
Eu sei que não devia, mas aqui estou de braços, portas e peito aberto pra falar de nós dois.
Aqui estou preenchendo mais uma vez essas linhas invisíveis com palavras que acabam sempre por querer dizer o mesmo em cada texto que pra ti dedico.
Eu juro que antes disso tentei de tudo, rodei todos os canais de televisão mais de uma vez, ataquei a geladeira como se isso fosse tapar o buraco daqui de dentro,
fugi pra cama torcendo pro sono me roubar da realidade, mas hoje você decidiu não sair da minha cabeça,
e mesmo lutando de todas as formas possíveis vim parar aqui na frente dessa tela branca ao som de uma música* que eu mal conhecia,
mas que lembra-me você cantando, vim sentar aqui do lado da janela e observar a madrugada chegar enquanto as palavras me invadem a alma
e as mãos tratam de cuidar do serviço de limpar as lágrimas, vim só pra relembrar o quanto você me faz falta,
o quanto dói te ver distante, o quanto dói ter que ir embora.
Esses dias eu pedi por mais um dia como aqueles, mas depois me arrependi porque eu não sei mais se aquilo é o suficiente para mim,
de qualquer jeito eu fiquei com o celular na mão durante o dia todo esperando por um telefonema ou uma mensagem qualquer só dizendo que você lembrou-se de mim,
mas não veio a mensagem e muito menos o telefonema, o que veio foi uma tristeza dessas que a gente sente nas tardes de inverno,
foi um aperto forte dentro do peito como se ele gritasse “acabou, esquece”.
Eu sei que hoje é só mais um dia ruim e que amanhã eu vou estar bem, em pé, lutando para não falar de você e sorrindo para o mundo como se tudo estivesse certo,
mas não está, nunca esteve e quem sabe se um dia estará.
Eu sei que não devia, mas eu estava lembrando dos minutos que eu achei que seriam eternos e dos segundos que eu cheguei a acreditar que podia ser amor da sua parte também, eu sei que não devia, mas agora eu queria estar escrevendo um texto bonito que falasse de nós como um único ser,
mas você lutou tanto por ser singular e eu tola desejando ser plural, ser nós, ser amor.
Você escolheu brincar de ser moleque e eu nunca escolhi nada, porque eu só queria você e fazia das tuas escolhas as minhas também,
mas nem isso foi suficiente para você ficar ao meu lado realizando o único pedido que te fiz,
nem isso foi capaz de te fazer me olhar com um pouco mais de carinho, afeto, cuidado, amor,
nem isso e nem nada de tudo aquilo que eu sempre fiz por você te convenceram de que talvez você pudesse parar de brincar um pouco e então falar sério só para poder ouvir tudo o que eu sempre escrevi e você nunca deixou eu te dizer porque você esteve preocupado demais procurando tudo que precisava em todos enquanto eu estava envolvida até o último fio de cabelo nesse seu sorriso que me engoliu tantas vezes.
Você nunca foi o homem que eu queria que fosse, mas foi o menino que me fez suspirar durante as quentes madrugadas de verão,
foi o menino que me fez sorrir com um milhão de palavras bobas,
foi o menino que me fez gritar,
rir,
chorar,
sorrir,
foi o menino que me ensinou a amar..
Pena que não foi grande o suficiente para aprender a amar comigo...
*Daughtry - Used To
Você costumava falar comigo como
Se eu fosse o único por perto
Você costumava apoiar-se em mim
Como se a uma única outra escolha fosse falha
Você costumava caminhar comigo
Como se nós não tivéssemos para onde ir
Bem e devagar, em nenhum lugar em especial
Eu costumava procurar por você quando
Me perdia ao longo do caminho
Eu costumava escutar
Você teve sempre a coisa certa a dizer
Eu costumava seguir você
Não importando nunca realmente onde nós iríamos
Rápido ou devagar, pra qualquer lugar que fosse
Nós costumávamos conhecer a cena
Costumávamos respirar sem dúvida nenhuma
Quando as noites eram claras, você era a primeira estrela que eu via
Nós costumavámos ter tudo sob controle
Nunca pensávamos
Costumávamos saber
Ao menos há você, a menos há eu
Podemos ter isto de volta?
Podemos ter isto de volta pra forma como costumávamos ser?
Eu olho ao meu redor
E quero que você esteja lá
Porque sinto falta das coisas que compartilhamos
Eu olho ao seu redor
Está vazio e você está triste
Porque você sente falta do amor que tínhamos
Você costumava falar comigo como
Se eu fosse o único por perto
O único por perto
Nós costumávamos conhecer a cena
Costumávamos respirar sem dúvida nenhuma
Quando as noites eram claras, você era a primeira estrela que eu via
Nós costumávamos ter tudo sob controle
Nunca pensávamos
Costumávamos saber
Ao menos há você, a menos há eu
Podemos ter isto de volta?
Podemos ter isto de voltar
Pra forma como costumávamos ser?
Pra forma como costumávamos ser?
Pra forma como costumávamos ser?
Pra forma como costumávamos ser?