terça-feira, 28 de maio de 2013

Eu demorei pra entender que ter alguma sensação familiar com o cara que te enrola há anos não é mágico, é natural e triste. E isso não devia ser usado como uma desculpa confortável pra eu esperar mais um ano, deixar escapar mais 365 dias da minha vida. Incrível mesmo é se sentir em casa com alguém que tá contigo há pouco tempo, mas tá tão contigo que parece que esteve ali a vida toda. Alguém que faz questão de você e inspire segurança, conforto. Afinal, casa é isso, não é?
Antes eu morava na rua, descoberta numa calçada, debaixo de muita chuva e pouco sol. Hoje eu sei, mas demorei pra entender. Pareciam intermináveis os dias em que eu acreditei poder consertar alguém sem conserto e só acabava me quebrando um pouco mais. Passei uma eternidade aceitando condições absurdas e implícitas, cuidando, limpando todo o sangue do outro e tendo hemorragia interna. Me doando, me doendo e recebendo partidas ingratas, desculpas não sinceras, falta de consideração.
Sempre soube o que eu merecia e o que não, gritei, impus meu valor por inúmeras vezes, até o dia que eu me calei, apenas aceitava. Porque tudo que eu sempre fiz questão de explicar, repetir e lembrar pras pessoas, coisas sobre eu ir e não voltar, sobre não me deixar ir, é o tipo de coisa que o outro só percebe sozinho, da pior forma. Não adianta fazer maquete, gráfico, teatro.
De alguma maneira louca, a minha felicidade foi mais eficaz do que qualquer cena ensaiada. Qualquer fala improvisada. E eu já não preciso ser atriz... Olha só que desfecho, sou leve e feliz.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Em poucas palavras, mas com um sentimento enorme, digo que hoje teu sumiço não é menos doloroso que um tempo atrás. Na verdade, quem disse que com o tempo a dor diminui, pode até ter um pouco de razão. Porém pra mim, a saudade é algo que machuca muito mais. A saudade não diminui, ela aumenta mais e mais. Te esperei por vinte anos, muitas vezes só contei com um pouquinho de orgulho seu. As idas e vindas se prolongaram. A dor, me fez acreditar que o passado talvez fora mal vivido, e que o futuro me traria bons momentos, é daí que parte a decepção.
Não crie expectativas sobre quem nunca ficou.

sábado, 25 de maio de 2013

And this time I'll admit that I miss you, I miss you. hey Dad.



Eu ia escrever, mas tem músicas que resumem e mudam tudo...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sobre frustrações pessoais

Ele voltou. O vazio acompanhado de insegurança. É o sempre fica afinal. É que eu sempre acabo no mesmo lugar, pensando nas mesmas coisas de sempre. É complicado não saber como esconder de si mesmo o que se sente. Isso transborda pelos nossos olhos sem que a gente perceba ou possa impedir. Nem sempre quando pensamos que estamos fazendo bem estamos fazendo o certo. Com o tempo aprendemos que tem coisas em nós mesmos que não conseguimos mudar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quando a gente quer demais, qualquer muito parece pouco. E eu sempre fui da tribo das insatisfeitas. Se eu posso ter mais, porque me contentaria com menos? 'Odeio comodismo' sempre foi meu argumento oficial. E de repente, me vi amarrada. Amarrada, em cárcere privado, vítima dos meus próprios fantasmas. Alguém comigo há meses, que nunca esteve realmente do meu lado, só porque isso é quase ter alguém e, não que seja melhor que nada, mas é que eu já estava cheia de 'nadas'. Histórias organizadas por durabilidade numa prateleira empoeirada e o que me sobrou disso tudo? Me doei tanto, que hoje em dia me falto. Me doeu tanto, que até hoje sangra.
Vira e mexe, em dias frios ou quando tocava uma música boba, quase passava, mas não passa nunca. Eu já não suportava o gosto agridoce de fingir que estava tudo bem e ter paz por dias contados. Eu nunca achei justo ter feito tantos curativos, ainda que a força, e ser deixada sempre aos meus próprios cuidados. Eu não abro mão da minha independência, faço questão de segurar meus trancos, mas que falta me fazia alguém querendo dividir o peso comigo. Ainda que eu não aceite. E todas as vezes que eu não peço, mas eu precisava tanto de cuidado. Aí alguém vinha e enchia o meu copo, o que piorava tudo muito mais. Não queria vodka. Não queria um corpo, não queria uma boca, eu não queria sair pra surtar numa sexta à noite. O que eu queria era não sentir tudo esmagado do lado de dentro, do jeito que estava. E fica tantas vezes. Eu pensava, dizia em voz alta, repetia em outros tons e não conseguia achar que seria pedir demais querer alguém que sinta a minha falta, que faça questão de mim. Queria apenas ouvir que "tá tudo bem" e que de alguma forma esteja, só porque ele estava ali, pra mim e por mim. E eu esperei tanto que eu finalmente desisti. Até aparecer alguém, me desvendar, me fazer virar do avesso. Tirei o salto, a maquiagem e fiquei brega, imatura, apaixonada e verdadeira.

terça-feira, 14 de maio de 2013


These days I haven't been sleepin'
Stayin' up playing back myself leavin'
When your birthday passed And I didn't call,
Then I think about summer, all the beautiful times,
I watched you laughin' from the passenger side
And realized I loved you in the fall
And then the cold came,
With the dark days when the fear crept into my mind
                                                   You gave me all your love
                                                     And all I gave you was goodbye...

Taylor Swift

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sou outra, ponto final


Vou te contar, foi difícil. Precisei revirar minha vida, pra te transferir pro quartinho de empregada.
Me mudei por completo, por fora, cabelo, unha, roupa. Por dentro, jeito, pensamentos, coração.
Precisei de outros caras rondando e me enjoando, até um dia, alguém me fazer rir de verdade. Como você nunca tinha feito. E logo você foi deixando de fazer falta.
Só não quero sentir culpa. Sou outra, porque tudo isso me transformou, porque foi preciso.
A mesma ia continuar sendo sua, de corpo e alma presa num nada. Porque você nunca foi embora, mas também nunca ficou.
Pensava em mim, mas nunca se importava de verdade, nunca se esforçou pra dar certo.
Sua ausência já me feriu muito, me fez pensar que eu nunca ia conseguir de fato partir e aceitar uma ausência definitiva.
Mas hoje já não me importa, porque tua presença não compensa os dias de espera. Porque seus telefonemas não me davam frio na barriga e sua voz não me deixava mais sem chão.
Eu fechei meus olhos pro mundo pra só enxergar você e fiquei cega por muito tempo.
Mas depois de olhar o mundo de novo, você já não tem mais cor, não se destaca. E tudo isso foi culpa minha sim, obrigada.
Tantos conselhos que eu engoli pra continuar de olhos fechados, mas é assim, não é? Era você quem tinha que me fazer desistir de vez, mais ninguém. Um "some da minha vida" e tá feito, tô feliz, sou outra e sou minha.
Aprendi algumas coisas com isso mais do que havia aprendido toda a minha vida, voltei a ser minha com a mesma intensidade que fui sua um dia.
Precisei de mil textos sobre você, distribuir essa loucura em linhas, e com os mesmos textos te encerrei com as mesmas linhas que te deram início, continuidade e, depois, fim.

Parabéns para você que, linda, lida com explosões hormonais uma vez ao mês. Que sente tudo inchar. Que chora por besteira. Que valoriza bobagens. Que acredita em filmes de amor. Que faz coleção de esmaltes. Que ama sapatos, bolsas e cacarecos para colocar no cabelo. Que compra só porque tava em liquidação. Que sempre precisa de alguma coisa. Que acha o amor a coisa mais bonita – e importante desse mundo. Que sabe como é fundamental olhar para si mesma – ainda que de vez em quando se perca e se preocupe em demasia com o "querer" do outro. Parabéns para você, que dia a dia aprende mais sobre você mesma. Que erra para aprender. Que é forte o suficiente para seguir em frente – sem lamúrias, mas com maturidade e sensatez. Que de vez em quando esquece a própria idade e o juízo em algum canto. E depois acha, como mágica. Parabéns para você, que tem um sonho. Que não desiste, apesar do que falam. Que não se abala, apesar do medo. Que sente uma fraqueza interna, mas caminha com passos firmes. Que fica tonta, mas não desmaia. Que apesar de cada pedra no caminho, corre. Que reclama dos problemas, mas entende que a vida é feita deles. Que tenta entender o defeito alheio – e procura perceber os seus.

— Clarissa Corrêa

domingo, 5 de maio de 2013

Sobre amar novamente

Acordei, levantei da cama, abri a cortina e deixei o sol entrar. Acordei de ilusões que eu criei quase sozinha, levantei da cama que nunca foi nossa, a luz entrou e devolveu a vida que não entrava naquele quarto há anos. Torci meu travesseiro e deixei escorrer um ano de noites mal dormidas, de planos não realizados, de saudade de você. Como quem tava a tempo demais no escuro e, de repente, se depara com uma luz muito forte, me doeu os olhos, mas logo me curei. Não tive tempo de pensar no que se foi, no que não chegou a ser ou no que poderia ter sido. Arrumei a cama, tinha visita. Perfumei o quarto, decorei, me refiz. É outono e quem diria? Deixei meu velho amor ser varrido junto com as folhas da estação. Tão clichê quanto minha espera eterna e inútil, nosso filme travado no replay, tuas desculpas sem culpa, ditas por obrigação e não pra se redimir. Deixei varrer porque não nascia flor a muito tempo, não é? Você sabe, você também parou de regar. Sempre economizou água e o amor foi crescendo sozinho, se alimentando de mim. Mas agora tá voando pelo chão e eu tenho visita. Não me liga, por favor. Me poupe dessa reviravolta, não faz isso de querer tudo que eu sempre quis tanto te oferecer, só por medo de eu oferecer pra outro. Você muitas vezes me deixou pra depois, mas agora não tem mais depois, porque sou presente em um outro alguém. Presente em todos os sentidos, presente que você nunca chegou a abrir completamente, por falta de coragem ou interesse. Mas já não importa, porque daqui a pouco chega minha visita e eu não tenho tempo pra te explicar o que você nunca quis ouvir. Sempre culpou e depois quis ficar? Não confio em quem não sabe o que quer. Queria o mundo e depois quis a mim, só porque arrumei a cama. Disse que te amava e você pediu pra eu sumir, e ainda queria meu colo como abrigo? Não sou casa pra covardia, não tenho tempo pra gente imatura e mal resolvida, já sou peso demais pra mim. Enfim, agora me dá licença, a campainha tá tocando e eu preciso ser feliz. Tudo claro, calmo, tudo novo. Recomecei, me zerei, deixei entrar e, principalmente, sair. Você sempre quis o mundo, agora tem, sem ninguém disputando espaço. Tá achando pouco? Sempre fez questão, sempre quis tanta opção e agora, eu finalmente, te libertei, sem nunca ter te prendido. Devia estar feliz. Só me deixa também, sem bater na porta, pra não sentir o gosto de ser atendido por um outro alguém. Meu novo alguém. Fica bem. Porque eu tô ótima. Fim. Não dói mais, me curei. Acabou a nossa história.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sou dos meus sonhos

Desde pequeno a gente é acostumado a ouvir por aí, desde os pais até a mulher na fila do mercado, que a vida é uma merda.
Que homem não presta, que a gente tem que estudar muito, arrumar um emprego que dê dinheiro e ficar bem de vida.
Quando se é criança, você diz amém e vai brincar na pracinha. Daí alguém fala: "- Aproveita enquanto você pode!" e você nunca entende os adultos.
Eu cresci e, vou confessar, ainda não entendo.
A vida só é uma merda, quando você acolhe esse tipo de pensamento que é apresentado tão cedo pra todos nós e passa a viver só pra isso, ter um emprego que dê muito dinheiro e que te deixe "bem de vida".
Mas isso nunca vai ser estar bem de vida, então a fórmula nunca funciona e é mais uma pessoa a todo minuto pra reclamar na fila de algum lugar.
Viver de peito aberto, apesar dos pesares, dói, mas nunca vai ser só sobreviver.
Eu optei por uma carreira que eu amo, largando a primeira que me daria dinheiro, porque sou dos meus sonhos, não escrava de um contra-cheque.
Minha opção é o amor, acho que é bem por aí.
Meu objetivo de vida é uma família feliz, quase um comercial de margarina.
Eu faço dinheiro, dinheiro não me faz. Pra ser adulto, não é preciso abrir mão da pracinha, nem de nada que nos faça bem. É só reorganizar o tempo e as prioridades.
Enquanto o objetivo de vida das pessoas for dinheiro, a vida vai continuar sendo uma merda.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

E, de repente, eu senti a leveza de me interessar por outro alguém. Sem passado pesando, sem presente passando despercebido.
Fiquei feliz, não em começar uma possível nova história, nem em, quem sabe dessa vez, acertar.
Não tava surtando e planejando um futuro lindo, com filhos correndo pela casa e cachorro no quinta.
Nada de planos bonitos, que sempre acabam rasgados pelo chão.
Era uma paixão simples; era pele, olhos nos olhos, arrepio... Precisa de algo mais?
O que me fazia sorrir de canto a canto era eu estar andando na direção de um outro alguém, sem me sentir acorrentada a nada e a mais ninguém. Sem nenhuma expectativa e nenhuma obrigação.
Não tava ali pra adormecer minha dor por umas horas, não tava distraindo minha saudade. Tava ali e só, ficando bem, sem forçar.
O ponto não era o novo cara, entende? Era meu reabrir de asas.