sexta-feira, 14 de março de 2014

Dizem que o amor é calmo, sereno, brisa. Mas eu não acredito nesse amor que não invade, não vira do avesso, não desarruma. Não consigo imaginar o amor batendo na porta, comportado no sofá. Esperando você oferecer um copo d’água, café, bolo. Com licença, por favor, muito obrigada.
Não o meu amor, não comigo... Meu amor pula a janela, põe os pés no sofá e pede mais uma almofada. Reclama que tá com fome e abre a geladeira pra ver o que tem de bom. Rouba o controle, muda o canal, faz bagunça. Meu amor é tempestade, terremoto, erupção.
Brisa, comigo, só o fim, só sem mim. Sereno, deixo claro, só meu adeus.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Hoje eu queria o colo de um estranho, desses que a gente conhece no ponto de ônibus, em uma praça esquecida ou na fila do pão. Queria alguém que tivesse duas horinhas livres, que permanecesse em silêncio prestando cuidadosamente atenção em cada pedaço dessa história a la sessão da tarde, queria alguém que não tivesse um monte de conselhos ensaiados na ponta da língua e frases de efeito que até eu já decorei, não preciso de um livro de auto ajuda ambulante, nem de alguém tentando comparar minhas dores. Quero só um desconhecido que me deixe desabar em palavras clichês e frases confusas, alguém que fique sem saber o que dizer quando eu terminar, mas possa me dar um abraço sincero e um colo seguro, alguém que sinta minhas dores na intensidade de cada silaba pronunciada, que pegue para si um pouquinho dessa dor só pra ver meu peito um pouco mais leve, quero alguém que saiba fazer cafuné, que possa chorar comigo sem ter um milhão de julgamentos prontos, alguém que como eu não saiba o que fazer, porque não tem, sabe?! É só o tempo que pode tratar dessas feridas, mas esse clichê já vem escrito, ninguém precisa me dizer. Hoje eu só queria encontrar um desconhecido, alguém que não soubesse o que dizer, mas que tivesse o ouvido disponível pra me ouvir desabafar toda essa angustia presa aqui dentro.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os cientistas deveriam estudar, a fundo, os efeitos terapêuticos de um pé na bunda sob as mulheres.
Deveriam passar receitas prescrevendo isso como remédio e cura, por aí.
Colar cartazes pelas esquinas: "Devolvo o amor-próprio em 3 dias."
Já vi cada milagre, que até Deus duvida.
E não tem erro: quando encontrar aquela conhecida que sempre foi sem sal, de cabelo enorme-sem-corte e roupas escolhidas no escuro e ela estiver com o cabelo repicado, meio ruivo brilhante e decotão, amigo, o namoro de tempos foi por água abaixo!
É sofrer, superar e sambar, a sequência dos "3 esses", podendo variar a ordem dos últimos dois, sem alteração no produto final.
A dor de cotovelo esmaga a preguiça e matricula qualquer uma na academia, com o maior foco do universo.
Os batons de tons fortes se jogam nas bolsas e emolduram divinamente as pragas e desaforos: "Não deu certo porque ele só uma criança e eu não tenho tempo pra construir caráter de ninguém" ou "Ele vai terminar com uma psicopata e vai lembrar de mim todos os dias da vida dele, ah vai!".
Não subestimo uma mulher recém abandonada. Nem julgo, muito pelo contrário. Cada um sabe a intensidade da sede de vingança que tem. Água não se nega a ninguém, que se vinguem.
Que passem na frente dele de salto alto e braços dados com algum boy magia que não sabe nem concordância verbal, mas de boca fechada é um semi-deus. Que se renovem.
Um nó na garganta é muito difícil de ser desfeito. Valorizo todas as tentativas, que mesmo vazias, são muito melhores do que se entregar pra dor.
Nenhum sentimento é mais poderoso do que o "ele vai ver o que perdeu! E vai se arrepender pelo resto da vida".
Nenhuma mudança é tão radical do que as que são frutos da rejeição, e não me refiro só a mudanças físicas. Uma nova mulher. Tantas novas mulheres, depois de cada fim. Amadurecimento temperado com água e sal. Tanto choro engolido, que a gente termina um pouco salgada também. Males que vem pra bem. Tanto esforço tentando virar mulher demais pra ele, que a gente vira mulher demais pra meio mundo.
E, um dado momento, quando ele passar, nem precisa respirar fundo. Porque isso não é mais sobre um cara. É sobre a nova cara da vida, muito mais colorida, diante da nova você.