sexta-feira, 29 de outubro de 2010

às vezes não cabe.

Em plena sexta-feira, pré feriadão acordei assim, doente. Não é só a maldita TPM, é doente de doer, de verdade. entre corpo, alma e pensamento.
Não é dor de crise existencial (mais uma? diriam eles), é dor de crise, de tudo, do nada. Do ser, do eu, do meu. Dor que prende, rasga e esfarela meu estômago. Dor minha. E que óbvio, ninguém entende. Ela vem mansinha, quase como um carinho e de repente, como quem não quer nada arranca algo de mim. Arranca mais que lágrima, mais que vômito.. Arranca sem perguntar se pode. Se eu quero. Vai, assim.. Simples, como tomar sorvete num dia de sol. Enquanto meio mundo se diverte lá fora, aqui a lágrima cai e o coração pulsa firme, o cérebro palpita pedindo certas e objetivas explicações, pra tudo. O corpo pede rapidez, remédios, soro na veia. A alma pede band-aids, por toda ela. É, eu queria ser normal. Esquecer tudo isso em segundos, não perceber que não há pra onde ir e nem mais nada, nem ninguém aqui, além de mim.
Vida que não caminha. Temperamento que não muda. A culpa não pe de ninguém em específico, acho que nem é minha. Eu nem deveria me queixar assim sabe?! às vezes a felicidade aparece a minha porta, literalmente. E sei que isso é para poucos. Mas que merda, odeio depender de algo, ou de alguém, pra poder ser feliz. E aí quando eu não tenho, é assim que fico, esperando.. Esperando. Caralho, como odeio isso. Não sei expressar isso, tá parecendo até mimo.
E assim vou me sentindo à cada hora, à cada momento, mais vazia e de saco cheio. Ou melhor, estômago cheio, coração cheio, mente cheia.. Só que no momento, cheia de nada. Cheia de merda. É isso.. É muito merda. E não é da merda que você tá pensando, essa não é física e existente, quem dera.. Seria mais fácil me livrar dela. Tô me sentindo pesada demais, e não são os quilos a mais, porque dois eu perdi só nessa semana em que exceto três dias o resto foi tipo, porra nenhuma. E não me venham com depoimentos sobre viver melhor a vida, porque na boa? Foda-se. Meus problemas, são meu problemas.. E cada um com o seu, certo? Não é assim que funciona? Ninguém tá nem ai se você tá bem de verdade ou não.. As pessoas só dizem: 'aah, mas você reclama demais, viu o depoimento de ontem da novela?' - PORRA, como assim?!
É foda. É foda. É foda. Ficar acordada pra mim tá sendo um sacrificio imenso, ainda mais pra mim né. E não, não tô falando de morte. Tô falando de ficar acordada mesmo sem dormir e ainda de ter de pegar um ônibus à tarde com pessoas que só sabem falar sobre o programa do gugu. De ter que entrar nessa merda de internet e nessas drogas de mídias sociais que só fazem a gente fugir do que a gente é. E as pessoas vem me falar de informação? foda-se. Informação é o caralho. Ninguém nem lê mais as coisas que eu escrevo aqui como liam antes. A galera do colégio faz joguinho de onde você larga a sua bolsa, pros homens ficarem encucados, sabe?! puta merda, cara. Isso existe mesmo? isso tá acontecendo? ninguém vai nem perder o tempo de ler essa bosta aqui, sabe porque? Por que 140 caracteres é o novo pretinho básico. ninguém quer perder tempo de sentir palavras, as pessoas só querem simplesmente ler e esquecer daqui à 3 minutos.
Então eu dou uma pausa, nesse trabalho confuso em que você vê/sente mentira a cada meia hora e que obviamente ninguém se importa com ninguém, a não ser com seus próprios umbiguinhos, e me tranco no banheiro.. Fecho meus olhos e me vejo aqui nesse mesmíssimo lugar, parada, sentada, com olheiras gigantes e escuras, me vejo, como um espelho turvo de olhos fechados e só. Não saio do lugar que habito, cruzo as pernas, sentada na privada, trancada no banheiro. A minha vontade na verdade é deitar em posição fetal e torcer, torcer e tentar voltar pro lugar de onde eu nunca deveria ter saído. Encarar esse mundo é foda. É difícil pra caralho e hoje eu só consigo pensar em como, COMO as pessoas tem coragem de botar um filho nesse mundo. Pqp! a gente tem que mudar, a gente tem que amadurecer, a gente tem que crescer, a gente tem que melhorar, temos que evoluir, temos que ter um padrão, ser alguém, estudar, trabalhar, fazer coisas que não gostamos, que não nos deixa feliz, a gente não pode ser a gente. As pessoas não se ajudam, não acalentam, não escutam, não tão nem aí. E ai de você se estiver. Só toma no cú. E nessas lições eu vou aprendendo o que sempre aprendi mas nunca dei ouvidos: Não espere NADA dos outros, porque será uma espera enorme. Uma hora você pode ter à outra não. Na real mesmo, apenas você pode ser seu eterno companheiro nas horas em que precisar. É melhor você ir lá, faz, dá a cara bater e se foda. Porque é assim que é.
Devaneios, respiração, devaneios, respiração.. E no meio de tudo isso, ainda percebo que nem me divertindo eu estou.
ok.. Eu penso, acorde:
Abro os olhos e continuo aqui.. fecho os olhos e a imagem desse banheiro brancoeverde não sai da minha cabeça. Chega um sms e eu dô de ombros. Não quero responder emails monótonos, chatos e sem nenhuma graça. Não quero compartilhar nada. Não quero atender telefonemas. Não quero, não posso, não consigo, não consigo, não consigo.
Não consigo nem responder por esse coração que continua batendo forte de amor, de carinho, de vontades, de desejos, de querer ser feliz. Esse coração que só leva tombo e que de tão cheio, sabe que não cabe em lugar nenhum que não seja nele mesmo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o máximo que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, bem ai, dentro dos seus olhos.)
- Errnnn, ah.. Porque eu sou tímida.

Fototaxia Positiva

As mariposas usam a Lua como referência. Seguem sua jornada noturna em busca de algo que pensam que podem alcançar.. Algo brilhante, colossal e bonito. De contraste com o céu negro em parceria das estrelas e sinaleiras de aviões. Por vezes, se distrai com alguma luz artificial, qualquer explosão de claridade as atrai. Qualquer lâmpada acesa, farol de carro ou fogueira as tira de sua rota eterna à Lua. Logo se veem perdidas e hipnotizadas por qualquer luz que decidiu entrar em seus percursos, cegas e fascinadas demais para continuar o instinto noturno natural. Essa atração pela luz, por coisas que brilham, que chamam a atenção mesmo de longe é chamada de fototaxia positiva.

Logo podemos nos comparar a elas. São seres tão minúsculos, tão ignoráveis, que não chegam a ser nem coloridos para serem chamadas de borboletas, criaturas toscas de cores escuras, manchadas, albinas, peludas, monstruosas, feias. Estamos sempre seguindo rotas, planejadas ou não. Procurando sempre um astro divino, brilhante e que nos faça sentir que não precisaremos de mais nada.. Nunca estamos fora dessas rotas, até em sonhos procuramos por essa coisa que não sabemos exatamente que coisa é. Que brilha tanto que ofusca e desfoca nossa visão. Somos fúteis, minúsculos, hipócritas. A única coisa que sabemos fazer, por instinto ou não, é correr atrás do que queremos, mesmo jurando e provando que a maior alegria de sua vida é fazer o bem para os outros. E por ironia nunca sabemos o que é isso que a gente tanto quer, esse lugar que a gente tanto quer chegar, esses corpos celestes que a gente procura tanto em todo lugar.. Jogamos baixo, trapaceamos e por consequência nos desviamos das rotas também. Desviamos de uma rota, e por vezes já estamos em outra. Encontramos um tesouro ali, uma oportunidade aqui, um sonho por outros lados, amizades jogadas nos cantos.. Nunca seguimos por uma linha reta. Nunca estamos completamente buscando o que queremos de corpo e alma, suor e lágrimas, asas e antenas. É isso que nos difere de tantos outros seres vivos. Somos mariposas, agimos como leões, vivemos como macacos, tomamos decisões como asnos, voamos como pardais.. Mas nunca estamos buscando a mesma coisa. Seja ela o que mais importa, o que necessitamos, ou não. É essa a condição de ser humano. Nunca saber o que se quer. Afinal, não temos nenhuma fototaxia, atração ou tendência à hipnose para nos prender a qualquer simples e eterno objetivo. Estamos em círculos e nossa vida é uma lâmpada de gás neon.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quando Lispector escrevia que: ''Felicidade dói'' eu não entendia.. Só agora posso concordar que sim, A felicidade dói! Dói porque não cabe no peito, nem no corpo e muito menos nas palavras ditas ou digitadas no teclado de um computador.. ''A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram por suas vidas.''

terça-feira, 12 de outubro de 2010

'Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.'

Rainer Maria Rilke.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Times Like These

Eu sou uma rodovia de mão única
Sou uma estrada para longe
Que segue você de volta para casa
Eu sou um poste aceso
Sou uma luz ofuscante
Piscando sem parar

Em tempos assim,
você aprende a viver de novo.
Em tempos assim,
você dá e dá de novo.
Em tempos assim,
você aprende a amar de novo.
Tempos assim
vivem se repetindo..

Eu sou um novo dia que nasce
Sou um novo céu que
abrigará as estrelas esta noite
Eu, eu estou um pouco dividido
Devo ficar ou fugir
e deixar tudo para trás?

Em tempos assim,
você aprende a viver de novo.
Em tempos assim,
você dá e dá de novo.
Em tempos assim,
você aprende a amar de novo.
Tempos assim
vivem se repetindo..

Foo Fighters.

*Para alguém, especial..

domingo, 10 de outubro de 2010

Conselhos de uma imagem inversa

Eles dizem que você mudou. Já não é a mesma, não te conhecem mais. Mas e você? Continua mesmo a mesma, ou só mudou o corte do cabelo e comprou roupas novas? Ainda se reconhece vendo seu reflexo, ainda é você ali? É aquela mesma pessoa de dois anos atrás, cercada de amigos e sem nenhum mal a desejar? Ou será que você mudou mesmo? Você, que dizia tanto que já não aguenta ver as pessoas indo e vindo na sua vida, não teria entrado e saído sem bater ou sem se despedir da vida deles? Pois veja só. Mudara mesmo.

Você já perdoou os erros dos outros? Perdoou mesmo, sem rancor algum? Aceitou cada um de volta na sua vida, com a mesma confiança de antes? Ou fez todos se tornarem donos de culpas que são suas, por não conseguirem esperar você jogar seu orgulho fora? É, não perdoara também.

Esqueceu das tardes de céu laranja, das noites de filmes e cobertores e garrafas e amigos, desses amores que você fez questão de destruir? Destruir, com a desculpa de estar indecisa, quando o que você tinha mesmo era medo, de se ferir, e não de ferir alguém. Esqueceu as notas do teclado, os poucos que prometeram não te abandonar e por fim abandonaram? Sim, esquecera também.

Continua batendo na mesma tecla, fazendo essa história de uma letra só, acreditando que há de haver alguém que saiba ler e dizer que te entende? Continua correndo atrás de quem já não merece seu esforço, continua não desistindo de tudo que você crê que pode ser salvo por esperança e um pouco de sacrifício? Continua também.

Ainda não entende esse porquê da vida e o porquê de tanta mudança, sendo que só se adapta ao que já é acostumada, sim, ainda. Ainda tenta salvar seu mundo e o mundo dos outros também, ainda tenta ser útil e generosa achando que vai ser recompensada em dobro. Boba.

Pensou que a vida era fácil? Achou que os inimigos e os problemas esperassem você ser adulta para você ser forte o bastante para acabar com eles, certo? Tão ingênua, tão jovem, ainda pensa que tem muito a viver, mas continua no mesmo lugar, como sempre. Vive às vezes, e extravasa com as oportunidades, e só usufrui com dor, ao invés de saudades.

Fala tanto dos outros, se sente tão culpada por tudo, pensa que não pode nada. Aonde você vai parar? Em que cidade você quer morar, com quais amores você quer morrer? Se decida, garota. A vida é curta demais. Ah sim, você aposta em tudo com todas as fichas. E quando você tiver perdido tudo, e quando não sobrar ninguém pra você apostar?

Para de procurar pela pessoa certa, jovem. E para de achar que todas elas são. São todas erradas, tem dúvidas como você, tem medo como você. Pelo menos cem por cento delas já sentiu o que você sentiu, de uma forma mais particular ou correspondente à você. Não é só você que já esteve sozinha e perdida, não é.

Pare de quebrar corações, de machucar essas almas. Isso vai te machucar. Tudo que você precisa é aproveitar algo que ame e que ame você com todas as certezas, ame você e que não tenha nada acima disso.

Isso que você vivia eram momentos, não são eternos. Pare de pensar que não pode viver sem os amigos que vão te abandonar, sem os dias que vão passar, sem as coisas que você não poderá fazer. Porque passa. Até uva passa, menina.

Procura, decide, tenta, machuca, perdoa. Só faz isso. Ser feliz é consequência. E seus inimigos sofrerão também. E você só poderá sentir pena, pois eles terão escolhido o orgulho, e você o perdão. Seus amigos irão embora, você também. Mas eles terão escolhido outros caminhos, outras vidas, outros. E você terá escolhido a saudade. E quanto aos amores, apenas ame. Se foi verdadeiro, volta, se foi impossível, acontece, se não foi amor, esquece.

Cresce criança, para de se preocupar com tanto! Em último caso ainda terá as estrelas, um pedido a ser feito a cada uma delas. Terá também as horas, um segundo a menos a cada passo, e logo um novo Depois também. Só para de sofrer tanto, e dizer que não tem futuro.


'Tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.'

sexta-feira, 8 de outubro de 2010





Tudo tem um começo, e de fato, um fim.
Os começos são tão simples. Nunca se sabe quando foi um começo antes de ter um meio desenrolado dele, ou um fim empatado, breve ou longo. São invisíveis, são espontâneos, nascem timidamente e logo perdem a linha. Logo, não são começos. São estórias, são finais.

Por aqui eu estive um bom tempo. Foi uma fase boa, apesar de tudo.
Eu prefiro escolher começos de meses, o ano-novo, as semanas de férias pra mudar minha vida. Mas ultimamente tenho escolhido as estações, quando posso escolher. Geralmente mudava por necessidade, pra não sofrer. E eu não escolho isso. É minha mudança involuntária. É quando eu me torno o que não quero ser.
É essa explosão de novas adaptações que me faz seguir pelo que me protege, que muitas vezes não é o mesmo que me agrada.

Desde pequeno, eu fui excluída, não estou me queixando, era seletiva. Talvez meu mundo fosse estranho demais para a grande maioria. Eu ainda acreditava quando os outros já sabiam duvidar.

Era um peso morto na vida de quem eu convivia. Eu me acostumei a enfrentar meus problemas sozinha, quando eu não podia mais fugir deles, que era melhor. Essa audácia solitária, essa coragem mal-reconhecida, aquela ninguém lutando pra ser alguém, enfim, foi notada. Não por ganhar a luta, e sim por lutar.
Por ora, ganhei amigos. Mas por vezes ainda me sinto só.
Não posso obrigar cada um deles a adotar meus inimigos, a sentir meu ódio, a sofrer da minha dor.
É egoísta demais. E isso foi algo que eu nunca pude ser completamente, ao contrário do que pensa os que não me conhecem.
Pois não tinha ninguém, não era ninguém. Se eu fosse egoísta até com o nada que eu tinha, nunca se aventurariam a ver que o nada não era tão nada assim.
E é aí que entra a mudança.

Mudar para se adaptar. Crescer para evoluir. Todos nós temos isso como base. Ou seguimos essa linha, ou nos tornamos ninguéns. E eu não quero mais ser um ninguém, de novo. Não quero ter de lutar pra poderem ver que eu existo. E eu não posso mais elevar meu ego, a ponto de surpreender os outros e fazê-los querer estar longe de mim.

E é por aí que deixamos as estórias para escrevermos outras. Tanto faz que um espelho pode ser consertado e continuar com as rachaduras expostas. E daí que quando apagamos nossos escritos alguma marca deles continua no papel?
Vivemos de novo, como se não tivéssemos sofrido. Amamos de novo, como se nossos corações nunca tivessem sido quebrados.

São apenas fases. E é por isso que eu tenho preferido as mudanças de estações, para mudar meu eu também.
Assim como as folhas secam e caem das árvores, eu devo deixar que esses sentimentos que já foram bonitos um dia se esvaiam de mim.
Seja pelos olhos, ou pelo esquecimento.
Eu hei de trocar minhas folhas.
Mesmo que eu tenha de perdê-las, para recompô-las apenas um bom tempo depois..