sexta-feira, 28 de maio de 2010

Souvenir

A algum tempo fui pra tão longe em busca de algo que eu não pude trazer pra casa.. É como ir naqueles lugares maravilhosos, que dá vontade de ficar pra sempre. Aqueles que você vai, tira uma foto ou traz um souvenir. Eu até poderia tentar enfiar na mala, mas é muita carga, e é muito caro, é.. É complicado, e não é para mim, entende?!
Só sei que tava por lá e que eu gostei muito. Mas quando voltei, me contentei com os lugares que eu sei ir de olhos fechados, com as pessoas que eu reconheço de longe, com esses souvenirs daqui mesmo, que não tem mais espaço na minha vida.
Aprendam uma coisa.. Eu não sei cativar raposas. Não sei correr atrás de libélulas e muito menos prender vagalumes em potes. É raro eu abrir exceções, não consegui ficar sem açúcar mesmo sem poder e na maioria das vezes meus cookies não duram muito. Agora que vocês sabem que eu sou uma perdedora nesse assunto todo, e puderem me fazer um pequeno favor: me deixem ao menos ter esperança, mesmo eu já sabendo que não é sólida e não dá pra colocar numa caixa, e me deixem ir de cara no muro de novo, até eu entender o quão real são esses tijolos e poder contar quantos hematomas são precisos pra enxergar o outro lado. Só me deixa. Deixa esse concreto me dizer que é hora de desistir.

sábado, 22 de maio de 2010

Eu tenho andando atrás de respostas. Não as que vem de forma direta, mas sim aquelas que vem com mais uma charada. Não sei por que, talvez seja pra me sentir sempre incompleto, e sempre buscar aquela coisa que me complete. Eu olho nos milhares de relógios em minha volta, e não sei em qual devo confiar, não sei qual deles marca a hora certa.
Mas isso é bom, isso me força a usar a intuição e fazer aquilo que apenas minha mente manda. Quanto mais o tempo passa, mais sinto, cada um teu seu destino. E eu faço o meu, do jeito que eu acho melhor. E não são todos esses relógios confusos que vão me dizer que hora eu devo agir, ou simplesmente parar de tentar. Hoje mesmo eu aprendi uma coisa. Por mais que seus sonhos sejam impossíveis, estranhos ou sem noção, não deixam de ser sonhos. Sonho é uma palavra incompleta, precisa de outra pra tornar-se completa. Sonho sempre vai ser o passado da realidade.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sobre o amor

Creio não existir algo na vida mais ridículo que tal sentimento. Define-se muitas vezes como metáfora, pois poderia ser isso ou aquilo ao mesmo tempo. Causa alegria e dor, ilude e dá esperança a quem possui. Tem seus variados tipos, a versão mais fútil, que dura pouco tempo, pode ser facilmente encontrada em lojas de departamento, agências de viagens, lojas de roupas e sapatos, ou em supermercados. Sua versão mais atual pode ser facilmente comprada com algumas notas de 100, ou 50, ou 1. Ao mesmo tempo em que te dá vontade de ficar, também te dá saudade. Você lê um livro de início, pra chegar no final, e no meio dele você deseja poder voltar ao começo, pois nunca dá certo já que logo o final chega, e você se desinteressa por ele.
Amor é uma mistura de felicidade e dor, uma quimera malcriada que cria enigmas o tempo todo. É cego, desde que se possa enxergar alguém rico, ou com dois perfis lotados, ou com o cabelo mais lindo do mundo. Mas é cego, até o momento em que você procura apenas comer biscoitos para lamber o recheio, e jogar o biscoito fora. A partir do momento em que você compra um livro só porque a capa é bonita, sua cegueira está curada. Sexo é o estado de necessidade do homem e pré-histórico do amor. É o amor expresso fisicamente. Mas dizem que o fogo mais ardente é aquele que é ateado sem poder se ver. E isso torna o sexo, apenas uma forma desfigurada do amor. O amor platônico, o amor não correspondido, e o amor material são apenas coisas que as pessoas criam para definir algo que nem elas sabem que sentem, ou não. Platônico é apenas uma forma de dizer que você ama alguém, mas não tem coragem de dizer, enfrentar toda a distância, as barreiras, seguranças, ou todas as pessoas do mundo, só por causa de uma pessoa, que ficaria deslumbrada, mas nem ao menos se importaria com isso, ou sim. O amor não correspondido é apenas uma doce forma de se referir à ilusão, pois não há um motivo, nem óbvio, nem ao menos egoísta, de amar alguém que nem ao menos corresponde isso à você. Mas as pessoas fazem isso para criar a esperança de que ela não é a única a sentir tal coisa, ela sempre espera que alguém a ame baixinho também, pra ela nunca corresponder, da mesma forma que não à fazem. Já o amor material, é uma simples atração por coisas que se movem ou não, com corpos bonitos ou diamantes em volta, que tem o poder de satisfazer você, mas sempre por um tempo limitado. Mas nenhuma dessas formas não levam o 'amor' em seus nomes. E isso é, extremamente ridículo. De tão egoísta, rude e individualista, o amor persegue cada palavra, cada canto, cada fase de sua vida. E se você chegou até ele, não é culpa dele. Ele não tem culpa de ser bonito, cheirar bem, parecer tão excitante. A culpa é sua, de se render à tal tentação.
Ninguém diz que amor é bom. Mas todos dizem que é necessário. Cabe a cada um de nós ler cada capítulo desse livro duas ou três vezes antes de querer chegar ao próximo. Ler o epílogo, o prefácio, até o sumário, se preciso, antes de seguir em frente, para que cada fase dele seja bem aproveitada, com olhos de cego e compreendimento de um sábio.
Ninguém pode definir amor. Nem com todas essas palavras, ou, nem com uma biblía de ensinamentos, ou uma bibliografia de vida. O amor vai sempre ser o amanhã, o desconhecido, o passado que ronda sua cabeça, querendo voltar; o final do livro, enquanto você ainda está no clímax apenas. As vezes um tormento sem fim, motivo de suas noites sem sono e deus seus dias sonhados. Vai estar sempre, com aquele alguém, que você sabe que nem em um milhão de anos, você vai estar do lado. Ou talvez esse alguém esteja apenas segurando uma plaquinha escrita Não há amor aqui e te dê um mapa, mostrando aonde ele está. Um mapa pra você se perder, e sempre achar as pessoas erradas. Um jogo, pra você perder durante a vida toda, e aprender a jogar cada vez melhor, pra que um dia , ou não, você vença, e ganhe um prêmio. O prêmio de saber aonde o amor de verdade está. Ou, perceber que você nunca vai achar alguém com amor total, alguém menos egoísta que você, e ficará sozinho pra sempre.
O amor, é o ridículo, o desconhecido, e ao mesmo tempo o interessante da vida. É um livro de capa surrada, aonde as últimas páginas, estão em branco. Cabe a você decidir quando vai começar a escrever o final de sua história.