Naquela noite eu devia estar sendo leiloada e esqueceram de me avisar... Já me explico; Trajeto casa de um amigo-boate, meus amigos pararam num barzinho, tava cedo. Tratei de botar uma boa música e logo estava dançando e rindo despreocupada.
Sem perder tempo, o primeiro carinha da noite já veio me entediar. O nome dele eu nem lembro, mas posso te falar horas sobre o carro do sujeito. Não entendo muito de carro, mas decorei até a placa, de tanto que o mala repetia, enquanto eu tentava sair estrategicamente.
O motor era o melhor, a roda era a melhor, carro caríssimo, pintura personalizada, se eu ganhasse dez centavos toda vez que ele falasse "O meu carro", eu poderia ter comprado aquele bar. E eu desejando, do fundo do meu coração, que as quatro rodas estourassem naquele momento.
Saímos com pressa, chegamos na boate, encarei uma fila minúscula porém longe dos meus amigos homens. Mas é claro que eu ter paz naquele dia era pedir demais, então óbvio, não podia ficar tranquila enquanto esperava.
O segundo carinha tinha casa até no inferno. O pai era empresário, a mãe socialite, tinha mil cachorros de raça pura, alguns carros, casa de três andares, piscina, trezentas suítes e banheiros... Juro que ele descreveu. Pegou alguma coisa sem importância da carteira, só pra eu ver o dinheiro. Ele falando sem parar sobre todos os milhares de bens materiais que ele tem espalhados pelo mundo e eu só conseguia ver uma placa escrita "Babaca" em vermelho, piscando em neon em cima dele.
Hoje estavam todos decididos a disputar bens e monologar comigo, não foi difícil notar.
Enfim, entramos. Não demorou muito até chegar o terceiro. "Quer quantos baldes? O que você quer beber? É só falar! Quer camarote? Te dou o que você quiser enquanto estiver comigo." E embora ele não ligasse, ainda tinham várias garotas loucas pra ficar com ele, como se fosse uma fila.
Não consegui mais esconder minha abominação. Estava extremamente incomodada e já tinha gastado toda a minha paciência. "Meu filho, olha bem pra mim e me responde: Tô na esquina?" Ele riu, achou que fosse alguma piada "Não, por que gata?" Aquele ‘Gata’ me deu nos nervos. "Ótimo! Porque eu não sou puta, achei que isso tava um pouco confuso pra você!" Fui grossa, foi merecido. Ele saiu, sem graça, fiquei leve.
Naquela noite foi excessivo, mas isso é mais normal do que "Bom dia" nos dias de hoje. Aliás, rola mais do que "Bom dia", diga-se de passagem.
Sempre me sinto mal, mas dessa vez, queria registrar meu nojo.
Não pelos imbecis que já se apresentam mostrando o nome no cheque. Mas pelas "mulheres", que se achando muito espertas, aceitam, gostam e estimulam esse tipo de comportamento lamentável e triste.
Uma pena seu valor ser uma etiqueta nas costas, sujeita a negociação.
Uma pena eu ter que ser negociada, porque vocês gostam de estar na vitrine.
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