sábado, 10 de abril de 2010

apenas um desabafo.

Oi. Estou te deixando essa mensagem, sem motivo concreto, sem razão nenhuma. É só pra você saber que eu me importo em deixar as coisas claras. É, é só pra você ver que eu me importo em me importar. E não é porque eu tô te ajudando a lembrar que eu existo. E muito menos porque eu espero que você retorne, sei lá. Não faço tanta questão de ouvir sua voz como antes. Aliás, só estou falando isso porque não queria que as coisas ficassem assim, dessa forma. Mal acabadas, entende?!.. Eu sei que foi você quem começou, mas não tive coragem de jogar na sua cara tudo que ficou entalado na minha garganta e apunhalado no peito à tempo, justamente porque seria desnecessário, não mudaria absolutamente nada, então o diálogo nem seria útil mesmo. E sei também que provavelmente você nem se lembra quando, por que, como, onde, mas tudo bem.. É por isso que eu falo tudo isso. Deve ser um grande esforço pra você ler, se ler, não? Não estou te pedindo pra ter dó, que coisa. Nunca pedi nada de você, nunca forcei a barra e muito menos quis que você sentisse algo. E você nem pra notar tudo isso.. Reciprocidade é algo difícil de acontecer. E não te culpo por isso, por falar de cinco em cinco segundos aquelas palavras que tantas vezes pareciam tão vazias, eu nem sabia recitá-las mas dentro de mim aquele Eu te amo cresciam cada vez mais. Aliás, não te culpo por não se importar com o que eu sentia também. Fosse bom ou ruim.
Talvez fosse como se pra mim eu tivesse um iceberg pra te dar, mas você estava tão longe que mal poderia enxergar o cubinho de gelo. E eu uso gelo não só como metáfora, mas também como lembrança. Aliás, foi bem assim mesmo.. Eu não tinha como lhe mostrar meu sofrimento e você não tinha como me fazer parar de sofrer. Ambos não tivemos chances de derreter toda essa camada de impossibilidades.
Eu te entendo, viu. Todo mundo já sofreu e fez os outros sofrerem. Até eu. Para, não é culpa sua. Quantas vezes te disse isso?! Aliás, eu nem sei por que estou te falando essas coisas, te fazendo perder seu tempo com algo que nunca foi sólido o bastante pra que você percebe-se. Mais uma vez, não é tua culpa. É chato isso, sabia? Eu poderia ter enfeitado os mais belos gestos e ter mudado todas as histórias, só pra ficarem do jeito que você gosta. Até a minha. Ah, eu fiz isso, é mesmo, e você também não notou, é verdade.
Agora me diz, pra quê isso? Isso, de você construir palácios em torno do seu coração, cercá-los com torres e muros de pedra. Pra quê? Pra tornar tua reciprocidade inalcançável? Só deixa eu te avisar que por mais bonito que tudo isso foi (ok, não foi, mas poderia ter sido), a gente não pode viver em contos de fadas. Meu coração não é uma princesa, e por mais que você tente disfarçar o seu, ele não é um dragão também. É só uma máquina que você programou para soar timbres diferentes de qualquer um que queira operá-la. Assim como o meu, que você tanto criticou. Tá vendo? uma semelhança.
Temos caixas de músicas enterradas nos nossos peitos. E eu não posso te culpar só porque a sua toca uma música diferente da minha. Eu te entendo, não é agradável quando duas músicas distintas resolvem tocar ao mesmo tempo. Só uma de cada vez é agradável. Eu te entendo, mesmo. Prefere ouvir só à tua música, do que perceber toda aquela mistura de acordes, ritmos e timbres diferentes dos teus.
É, como o outro lá disse, esse tempo todo eu fui um acorde errado na tua canção. Um arranjo que você nem sequer percebeu.
Então, é só isso. Parece muito que eu joguei tudo isso na sua cara, pra que tu pense que a culpa é sua, depois de todo esse final mal feito dessa história (que você nem sabia que existia).. Mas não é, tá.
É só minha tristeza gritando palavras depois de perceber que só depois de praticamente mais de um ano eu fui descobrir que não formamos dupla, que nossos ideais não batem, que nossos corações batem em frequências opostas. É só minha tristeza, não meu ódio. Só tenho ódio de mim, por ter demorado tanto tempo pra enxergar, e mesmo assim ainda te escrever tudo isso jurando que você vai ligar.
E olha, eu gosto de você sim. E tudo isso é pra você lembrar que eu existo, sim, e ia gostar tanto que alguma vez sequer, você percebe-se. Mas não faz nada disso não.
É que eu estou no meu caminho, finalmente. Um caminho pra acreditar que nada disso vale à pena o risco. E não me desvie dele de novo, você sabe que eu sempre preferi o caminho difícil, difícil e solitário. Porém, feliz. Por que jogar no modo fácil? Tão entediante não?
E, por favor, apenas te peço: não tente jogar de novo.

2 comentários:

  1. Eu li Tudo. o/
    ---
    concelho : " Na vida tudo passa, até uva-passas"

    ResponderExcluir
  2. Quando a alegria se torna tristeza e o bem estar infortúnio, as almas pacientes extrairão prazer mesmo da dor.

    Ass: Agata

    ResponderExcluir