sexta-feira, 14 de março de 2014

Dizem que o amor é calmo, sereno, brisa. Mas eu não acredito nesse amor que não invade, não vira do avesso, não desarruma. Não consigo imaginar o amor batendo na porta, comportado no sofá. Esperando você oferecer um copo d’água, café, bolo. Com licença, por favor, muito obrigada.
Não o meu amor, não comigo... Meu amor pula a janela, põe os pés no sofá e pede mais uma almofada. Reclama que tá com fome e abre a geladeira pra ver o que tem de bom. Rouba o controle, muda o canal, faz bagunça. Meu amor é tempestade, terremoto, erupção.
Brisa, comigo, só o fim, só sem mim. Sereno, deixo claro, só meu adeus.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Hoje eu queria o colo de um estranho, desses que a gente conhece no ponto de ônibus, em uma praça esquecida ou na fila do pão. Queria alguém que tivesse duas horinhas livres, que permanecesse em silêncio prestando cuidadosamente atenção em cada pedaço dessa história a la sessão da tarde, queria alguém que não tivesse um monte de conselhos ensaiados na ponta da língua e frases de efeito que até eu já decorei, não preciso de um livro de auto ajuda ambulante, nem de alguém tentando comparar minhas dores. Quero só um desconhecido que me deixe desabar em palavras clichês e frases confusas, alguém que fique sem saber o que dizer quando eu terminar, mas possa me dar um abraço sincero e um colo seguro, alguém que sinta minhas dores na intensidade de cada silaba pronunciada, que pegue para si um pouquinho dessa dor só pra ver meu peito um pouco mais leve, quero alguém que saiba fazer cafuné, que possa chorar comigo sem ter um milhão de julgamentos prontos, alguém que como eu não saiba o que fazer, porque não tem, sabe?! É só o tempo que pode tratar dessas feridas, mas esse clichê já vem escrito, ninguém precisa me dizer. Hoje eu só queria encontrar um desconhecido, alguém que não soubesse o que dizer, mas que tivesse o ouvido disponível pra me ouvir desabafar toda essa angustia presa aqui dentro.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os cientistas deveriam estudar, a fundo, os efeitos terapêuticos de um pé na bunda sob as mulheres.
Deveriam passar receitas prescrevendo isso como remédio e cura, por aí.
Colar cartazes pelas esquinas: "Devolvo o amor-próprio em 3 dias."
Já vi cada milagre, que até Deus duvida.
E não tem erro: quando encontrar aquela conhecida que sempre foi sem sal, de cabelo enorme-sem-corte e roupas escolhidas no escuro e ela estiver com o cabelo repicado, meio ruivo brilhante e decotão, amigo, o namoro de tempos foi por água abaixo!
É sofrer, superar e sambar, a sequência dos "3 esses", podendo variar a ordem dos últimos dois, sem alteração no produto final.
A dor de cotovelo esmaga a preguiça e matricula qualquer uma na academia, com o maior foco do universo.
Os batons de tons fortes se jogam nas bolsas e emolduram divinamente as pragas e desaforos: "Não deu certo porque ele só uma criança e eu não tenho tempo pra construir caráter de ninguém" ou "Ele vai terminar com uma psicopata e vai lembrar de mim todos os dias da vida dele, ah vai!".
Não subestimo uma mulher recém abandonada. Nem julgo, muito pelo contrário. Cada um sabe a intensidade da sede de vingança que tem. Água não se nega a ninguém, que se vinguem.
Que passem na frente dele de salto alto e braços dados com algum boy magia que não sabe nem concordância verbal, mas de boca fechada é um semi-deus. Que se renovem.
Um nó na garganta é muito difícil de ser desfeito. Valorizo todas as tentativas, que mesmo vazias, são muito melhores do que se entregar pra dor.
Nenhum sentimento é mais poderoso do que o "ele vai ver o que perdeu! E vai se arrepender pelo resto da vida".
Nenhuma mudança é tão radical do que as que são frutos da rejeição, e não me refiro só a mudanças físicas. Uma nova mulher. Tantas novas mulheres, depois de cada fim. Amadurecimento temperado com água e sal. Tanto choro engolido, que a gente termina um pouco salgada também. Males que vem pra bem. Tanto esforço tentando virar mulher demais pra ele, que a gente vira mulher demais pra meio mundo.
E, um dado momento, quando ele passar, nem precisa respirar fundo. Porque isso não é mais sobre um cara. É sobre a nova cara da vida, muito mais colorida, diante da nova você.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

"Você sabe. Acho que sempre soube. Eu tinha medo de gostar de alguém, de me envolver, de me mostrar sem disfarces. Amar dá um medo danado. De perder a liberdade, a identidade, de se machucar, de não saber mais voltar."


- Clarissa Corrêa

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Date a girl who reads

"Date a girl who reads. Date a girl who spends her money on books instead of clothes. She has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve.
Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag. She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she finds the book she wants. You see the weird chick sniffing the pages of an old book in a second hand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow.
She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book.
Buy her another cup of coffee.
Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent.  Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice.
It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas and for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry, in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does.
She has to give it a shot somehow.
Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world.
Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who understand that all things will come to end. That you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two.
Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilightseries.
If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are.
You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype.
You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots.
Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads.
Or better yet, date a girl who writes."

— Rosemarie Urquico.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Memórias

O dia que eu não chorei talvez tenha sido o dia mais atípico da minha vida. Sou do tipo que chora até com filme de comédia, mas nesse dia não me escapou nem uma lágrima involuntária. E eu senti que era o começo e, principalmente, o fim de muita coisa. Senti o estômago embrulhado e um nó na garganta, tudo muito familiar, exceto pela ausência do gosto do sal na boca. E, pela primeira vez, senti que era inútil pensar, repensar, perder noites de sono tentando solucionar o que não dependia só de mim. Se eu já disse o que devia ser dito uma vez, pronto, é isso, é a minha posição. Não vou ficar repetindo com argumentos convincentes, como quem defende uma tese e espera por aprovação. Senti que qualquer esforço não fazia sentido, porque eu acho que não vale pedir pra ficar, sabe? Tenho mania de achar que tem coisas que só tem valor se forem espontâneas, de coração e isso tá no topo da lista. Se eu amo alguém, eu nem cogito a possibilidade de ir embora. Desistir é coisa de gente que gosta pouco e tentar inverter uma situação assim é coisa de gente que não se gosta. Não cometo erros repetidos, porque quando é pela segunda vez, já é uma escolha. E eu não escolho isso pra mim. Tem quem diga que eu sou muito coração aberto e eu acho que isso define tudo muito bem. Porta aberta pra entrar, escancarada pra sair. E eu fiquei bem. Sempre fico.



 "Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, não precisa nem secar minhas lágrimas.
Só me diz que você continuará comigo pra tudo, que tenho teu colo e teu carinho.
E ainda que te doa me ver assim, me envolva nos teus braços e diga que eu posso chorar,
mas que você não sairá dali enquanto eu não sorrir.
Porque é isso que nos importa, não é? O sorriso um do outro." - Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Cansei de reclamar do passado, esperar coisas boas e acabar por viver os mesmos fracassos.
Eu já fui mais feliz, lembro de ter me sentido amada.
Agora tenho certeza que é melhor me bastar sozinha.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Não haveria planos, nem vontades, nem ciúmes, nem coração magoado. Se não fosse amor, não haveria desejo, nem o medo da solidão. Se não fosse amor não haveria saudade, nem o meu pensamento o tempo todo em você.
Se não fosse amor eu já teria desistido de nós.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Quando a sua capacidade parece não ser o suficiente e você se encontra em pleno desespero em querer acertar, você olha para os lados - todos eles - e vê apenas você e sua culpa. Todo o sofrimento parece ser apenas carregado por fracasso pessoal. As lembranças são lembretes e o ar daquele possível futuro feliz já se foi há muito tempo. Nunca mais se sentiu o cheiro. O que fazer para acertar? Se tudo o que você toca parece que vai desmoronar e ainda temos a covarde coragem de reerguer tudo que caiu. Só pra fuder com tudo de novo.

Não reconstrua aquilo que destrói os outros aos poucos e pelo qual só vai trazer sofrimento.

Porque a necessidade de sentir aquele pequeno momento de felicidade, outra vez, parece a coisa mais importante do mundo. Mas o passado tá sempre ali pra lembrar que eu nasci pra falhar, quando se trata de querer cuidar.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ser vista de perto assim, dá medo. Estar exposta desse jeito, dá medo. É inevitável lembrar de todas as histórias anteriores e dos finais que eu abortei. Dos sonhos e planos que eu manchei. De tudo que eu perdi, do pouco que eu ganhei. As falas e cenas sempre me parecem deja vu e eu recuo, como se fosse uma segunda oportunidade de sair antes de sangrar, da mesma história de sempre. Mas não é e não sei o que assusta mais: o velho ou o novo. Eu passei anos trabalhando meu desapego, porque teria sido insuportável viver acreditada pra sempre. E uma das minhas maiores conquistas- e dores também- foi conseguir seguir com a minha vida, apesar de qualquer pesar, porque ser sozinha era uma solução e não problema. Ter a certeza de que eu ia ficar bem, como sempre e que o fim sempre chegava, então quanto antes melhor. No dia em que eu aprendi a dar tchau com facilidade, a ser a primeira a acenar de longe, a dizer adeus antes de oi, me dei uma estrelinha de ouro. Morri de orgulho. Morri um pouco também. E o que me dá mais medo, de toda uma lista infinita de medos, é essa desconstrução de tudo que eu tenho, sei, sou. E o fato de que essa desconstrução me deixa leve de um jeito viciante, como se fosse tudo que, no fundo, eu sempre precisei. Voltar a acreditar e esperar, ainda que involuntariamente, me deixa em pânico, juro. Porque eu já remei tanto em vão, morri tanto afogada, que se eu cair de novo, não sei se lembro como levanta. Faz tanto tempo que eu não caio e sei que isso é o tipo de coisa que tem força pra me derrubar. E força pra me fazer completamente feliz também. Só espero que seja usada a força certa.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Não escondo meu passado, não nego minha sina. Absolutamente tudo faz parte do que eu sou e eu passo longe de ser perfeita, deixo claro. Sim, sempre tive tendência a gostar de quem não sabia ou queria gostar de mim. Sempre fiquei um pouco mais quando isso era um desafio, nunca entrei em portas abertas. Fugi de coisas boas, porque eu banco a minha dor, mas morro quando machuco outro alguém. Me conheço e recuo. Um passo pra trás pelo bem deles, nunca por covardia minha. Sempre tive uma certeza estranha de que, quando fosse pra acontecer, nunca ia precisar de tempo pro amor nascer. Eu ia sentir, desde o começo, eu ia saber. Já me achei um tanto quanto sadomasoquista, já admiti meu vício em sofrer, já tinha me acostumado com todo esse estrago que, bem ou mal, era tudo que eu tinha e o que eu sabia fazer. E eu não vou dizer que era infeliz, porque isso eu nunca fui. Uma vampira de mim mesma, talvez. Mas eu sou tudo isso há tantos anos, não conhecia outro gosto. Muita coisa me faltava, mas eu me bastava, mesmo que de um jeito torto e com válvulas sujas de escape. E não posso esconder as cicatrizes. Não posso controlar um impulso ou outro, meus medos ou reflexos de autoproteção. Porque eu tive que me proteger a vida inteira, de muitas formas e falhei muitas vezes. Já doeu muito, não queria que doesse descontroladamente outra vez. Então me desculpa e me entende. Te amo, confio em você, acredito na gente. Me expus, deixei você entrar em todos os espaços, me joguei de verdade. Nunca quis tanto ficar, nunca fui tão feliz, nunca me doei tanto pra alguma coisa dar certo. E nunca tive tanto medo. Mas se me quer inteira, é isso. Venho sem jeito, com passado, medos, inseguranças,cicatrizes e um amor puro, sem fim. Fica quem quer. Me entrego, pago pra ver e você resolve se me encara assim. Fica quem puder. Corro o risco, faço minha parte e você quem decide o que quer de mim.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Algumas pessoas precisam pular de paraquedas para sentirem a adrenalina surtir efeito dentro de si, comigo, as coisas são diferentes. Comigo, a cada linha que escrevo até chegar ao seu ponto final, é uma sensação de suspense mais adrenalina para saber como irá terminar aquele período. Preciso estar em contato direto com a situação ou comigo mesmo para saber lidar com aquilo que estou escrevendo. Tem dias que chego ao céu, tem dias que chego ao inferno. A gente nunca sabe qual será o nosso destino. Escrever pra mim é além de encontro consigo mesmo, é uma maneira sensível de conectar-se com alma. Transmitir o que ela é e o que ela sente. O desconhecido que pode se tornar perigoso. Escrever pra mim também é uma aventura, apego, saudade, amor, compaixão, raiva. Não é apenas alívio, às vezes sinto aflição - poucos sabem, mas escrever é um risco de morte que poucos tem a coragem de enfrentar. A escrita também pode ser bipolar: uns dias pode ser amor, outros dias pode ser apenas dor. Pelo menos é o que é escrever pra mim. E quando conseguimos atingir outra pessoa através das nossas palavras, bem, aí pode ser considerado um pedacinho do céu. E para quem não acredita em céu, eu posso considerar que é algo que não conseguimos medir, apenas sentir e demonstrar num sorriso. O sorriso mais sincero que você possa imaginar.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Eu penso que ser sincera é uma coisa tão natural, tão mais fácil, que acho que todo mundo sempre fala a verdade pra mim também. E esqueço o quanto as pessoas sentem prazer em complicar tudo. É a minha mania mais perigosa de todas, confiar extremamente em quem me cativa. Confio mesmo, até você me provar que não vale a pena, não vale o risco, aí eu nunca mais vou ser a mesma. Viro, na melhor das hipóteses, sua colega bem distante e não é por mal, é meu reflexo. Pra completar, minha outra mania chata é perdoar. Não guardo mágoa de ninguém, não porque não quero, só não consigo. Juro que não quero ver a pessoa nem pintada de ouro, até ela vir com o rabo entre as pernas e pedir desculpas, inventar histórias, simples assim. E mesmo que muitas pessoas que passaram pela minha vida tenham traído a minha confiança, não acho justo punir quem tá chegando, pelo crime de quem já foi. Nessa, quase sempre quem paga a pena sou eu, mas eu durmo bem de noite e é isso que importa. Ás vezes eu fico aqui querendo perguntar pras pessoas "E aí, de tudo que você já me disse, o que era verdade? Só pra saber...". Mas não ia fazer diferença, então deixo as verdades e mentiras assim mesmo, misturadas, eles com suas coleções de máscaras e eu sempre tão exposta, porque uma hora as mentiras aparecem. Mas quer saber minha recompensa? Quem gosta de mim, quem tá do meu lado, tá por mim do jeito que eu sou, sem enganação. Amam a mim e não uma personagem. E, no fim das contas, ser enganada fica muito pequeno, porque os maiores enganados são eles mesmos e é uma pena. No meio de tantas máscaras, uma hora o rosto real se perde e tanta coisa se perde junto. Não sei se pode-se atribuir a mim a faixa de ingênua nessa história toda, como sempre é atribuído. Mas eu aceito e lamento. Que percam-se.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Eu demorei pra entender que ter alguma sensação familiar com o cara que te enrola há anos não é mágico, é natural e triste. E isso não devia ser usado como uma desculpa confortável pra eu esperar mais um ano, deixar escapar mais 365 dias da minha vida. Incrível mesmo é se sentir em casa com alguém que tá contigo há pouco tempo, mas tá tão contigo que parece que esteve ali a vida toda. Alguém que faz questão de você e inspire segurança, conforto. Afinal, casa é isso, não é?
Antes eu morava na rua, descoberta numa calçada, debaixo de muita chuva e pouco sol. Hoje eu sei, mas demorei pra entender. Pareciam intermináveis os dias em que eu acreditei poder consertar alguém sem conserto e só acabava me quebrando um pouco mais. Passei uma eternidade aceitando condições absurdas e implícitas, cuidando, limpando todo o sangue do outro e tendo hemorragia interna. Me doando, me doendo e recebendo partidas ingratas, desculpas não sinceras, falta de consideração.
Sempre soube o que eu merecia e o que não, gritei, impus meu valor por inúmeras vezes, até o dia que eu me calei, apenas aceitava. Porque tudo que eu sempre fiz questão de explicar, repetir e lembrar pras pessoas, coisas sobre eu ir e não voltar, sobre não me deixar ir, é o tipo de coisa que o outro só percebe sozinho, da pior forma. Não adianta fazer maquete, gráfico, teatro.
De alguma maneira louca, a minha felicidade foi mais eficaz do que qualquer cena ensaiada. Qualquer fala improvisada. E eu já não preciso ser atriz... Olha só que desfecho, sou leve e feliz.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Em poucas palavras, mas com um sentimento enorme, digo que hoje teu sumiço não é menos doloroso que um tempo atrás. Na verdade, quem disse que com o tempo a dor diminui, pode até ter um pouco de razão. Porém pra mim, a saudade é algo que machuca muito mais. A saudade não diminui, ela aumenta mais e mais. Te esperei por vinte anos, muitas vezes só contei com um pouquinho de orgulho seu. As idas e vindas se prolongaram. A dor, me fez acreditar que o passado talvez fora mal vivido, e que o futuro me traria bons momentos, é daí que parte a decepção.
Não crie expectativas sobre quem nunca ficou.

sábado, 25 de maio de 2013

And this time I'll admit that I miss you, I miss you. hey Dad.



Eu ia escrever, mas tem músicas que resumem e mudam tudo...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sobre frustrações pessoais

Ele voltou. O vazio acompanhado de insegurança. É o sempre fica afinal. É que eu sempre acabo no mesmo lugar, pensando nas mesmas coisas de sempre. É complicado não saber como esconder de si mesmo o que se sente. Isso transborda pelos nossos olhos sem que a gente perceba ou possa impedir. Nem sempre quando pensamos que estamos fazendo bem estamos fazendo o certo. Com o tempo aprendemos que tem coisas em nós mesmos que não conseguimos mudar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quando a gente quer demais, qualquer muito parece pouco. E eu sempre fui da tribo das insatisfeitas. Se eu posso ter mais, porque me contentaria com menos? 'Odeio comodismo' sempre foi meu argumento oficial. E de repente, me vi amarrada. Amarrada, em cárcere privado, vítima dos meus próprios fantasmas. Alguém comigo há meses, que nunca esteve realmente do meu lado, só porque isso é quase ter alguém e, não que seja melhor que nada, mas é que eu já estava cheia de 'nadas'. Histórias organizadas por durabilidade numa prateleira empoeirada e o que me sobrou disso tudo? Me doei tanto, que hoje em dia me falto. Me doeu tanto, que até hoje sangra.
Vira e mexe, em dias frios ou quando tocava uma música boba, quase passava, mas não passa nunca. Eu já não suportava o gosto agridoce de fingir que estava tudo bem e ter paz por dias contados. Eu nunca achei justo ter feito tantos curativos, ainda que a força, e ser deixada sempre aos meus próprios cuidados. Eu não abro mão da minha independência, faço questão de segurar meus trancos, mas que falta me fazia alguém querendo dividir o peso comigo. Ainda que eu não aceite. E todas as vezes que eu não peço, mas eu precisava tanto de cuidado. Aí alguém vinha e enchia o meu copo, o que piorava tudo muito mais. Não queria vodka. Não queria um corpo, não queria uma boca, eu não queria sair pra surtar numa sexta à noite. O que eu queria era não sentir tudo esmagado do lado de dentro, do jeito que estava. E fica tantas vezes. Eu pensava, dizia em voz alta, repetia em outros tons e não conseguia achar que seria pedir demais querer alguém que sinta a minha falta, que faça questão de mim. Queria apenas ouvir que "tá tudo bem" e que de alguma forma esteja, só porque ele estava ali, pra mim e por mim. E eu esperei tanto que eu finalmente desisti. Até aparecer alguém, me desvendar, me fazer virar do avesso. Tirei o salto, a maquiagem e fiquei brega, imatura, apaixonada e verdadeira.

terça-feira, 14 de maio de 2013


These days I haven't been sleepin'
Stayin' up playing back myself leavin'
When your birthday passed And I didn't call,
Then I think about summer, all the beautiful times,
I watched you laughin' from the passenger side
And realized I loved you in the fall
And then the cold came,
With the dark days when the fear crept into my mind
                                                   You gave me all your love
                                                     And all I gave you was goodbye...

Taylor Swift

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sou outra, ponto final


Vou te contar, foi difícil. Precisei revirar minha vida, pra te transferir pro quartinho de empregada.
Me mudei por completo, por fora, cabelo, unha, roupa. Por dentro, jeito, pensamentos, coração.
Precisei de outros caras rondando e me enjoando, até um dia, alguém me fazer rir de verdade. Como você nunca tinha feito. E logo você foi deixando de fazer falta.
Só não quero sentir culpa. Sou outra, porque tudo isso me transformou, porque foi preciso.
A mesma ia continuar sendo sua, de corpo e alma presa num nada. Porque você nunca foi embora, mas também nunca ficou.
Pensava em mim, mas nunca se importava de verdade, nunca se esforçou pra dar certo.
Sua ausência já me feriu muito, me fez pensar que eu nunca ia conseguir de fato partir e aceitar uma ausência definitiva.
Mas hoje já não me importa, porque tua presença não compensa os dias de espera. Porque seus telefonemas não me davam frio na barriga e sua voz não me deixava mais sem chão.
Eu fechei meus olhos pro mundo pra só enxergar você e fiquei cega por muito tempo.
Mas depois de olhar o mundo de novo, você já não tem mais cor, não se destaca. E tudo isso foi culpa minha sim, obrigada.
Tantos conselhos que eu engoli pra continuar de olhos fechados, mas é assim, não é? Era você quem tinha que me fazer desistir de vez, mais ninguém. Um "some da minha vida" e tá feito, tô feliz, sou outra e sou minha.
Aprendi algumas coisas com isso mais do que havia aprendido toda a minha vida, voltei a ser minha com a mesma intensidade que fui sua um dia.
Precisei de mil textos sobre você, distribuir essa loucura em linhas, e com os mesmos textos te encerrei com as mesmas linhas que te deram início, continuidade e, depois, fim.